A situação internacional é marcada pela escalada de confrontação e agressão promovida pelo imperialismo, em particular pelo incremento da agressividade norte-americana, em aberto confronto com os princípios da Carta da ONU e o direito internacional, com expressão na agressão militar contra o Irão, a Venezuela e o sequestro do seu Presidente Nicolás Maduro, no agravamento do bloqueio contra Cuba, na continuação da política genocida de Israel contra o povo palestiniano e na escalada belicista das potências europeias da NATO e da UE, que desvia biliões de euros de recursos públicos para o complexo militar-industrial, à custa das condições de vida dos trabalhadores e dos povos. No plano nacional, a política do Governo PSD/CDS, que beneficia do comprometimento do Chega e da IL e da cumplicidade do PS, traduz uma ofensiva contra os direitos laborais, a degradação do Serviço Nacional de Saúde, o ataque à Escola Pública, a promoção das privatizações e a submissão aos interesses dos grupos económicos, agravando as desigualdades e comprometendo o desenvolvimento soberano do País.
No distrito de Santarém, a situação dos trabalhadores e das populações reflecte as consequências da política de direita. Assinala-se o ataque aos direitos dos trabalhadores e o aumento da exploração, o ataque aos serviços públicos, assumindo contornos particularmente graves com a ameaça de encerramento das urgências de obstetrícia do Hospital Distrital de Santarém, que a concretizar-se, representaria um retrocesso inaceitável no acesso à saúde. Neste sentido, o PCP levará a cabo um conjunto de acções em defesa do SNS que terão lugar em vários pontos do distrito no próximo dia 21 de Abril.
As intempéries que assolaram recentemente o distrito vieram revelar, de forma cruel, a resposta tardia e insuficiente do Governo, deixando populações e empresas sem os apoios de que carecem para reconstruir as suas vidas e retomar as suas actividades. Mais do que isso, as intempéries colocaram em evidência as enormes carências que o distrito sofre do ponto de vista dos meios de comunicação e socorro, bem como das acessibilidades: a necessidade de construção de novas travessias do Tejo, nomeadamente na Chamusca e em Constância, para além de outras pontes sobre diversos rios, bem como um plano integrado de melhoria e modernização de toda a rede de transportes e acessibilidades no distrito tornou-se ainda mais urgente e incontornável, constituindo um imperativo inadiável. A DORSA salienta ainda a urgência de apoios aos vários problemas colocados, seja no que concerne à agricultura, seja às micro, pequenas e médias empresas, salvaguardando os postos de trabalho, bem como às populações afetadas com a destruição das suas habitações. Independentemente das considerações governamentais sobre planos, comissões e diagnósticos já feitos e refeitos, aquilo que é urgente é a canalização dos meios para uma resposta imediata que permita o refazer de vidas.
A DORSA saúda a luta desenvolvida pelos trabalhadores e pelas populações e expressa a sua solidariedade e total empenho no seu prosseguimento e aprofundamento. Destaca-se em particular, o significativo êxito da manifestação promovida pela CGTP-IN em Lisboa no passado dia 28 de Fevereiro — “Abaixo o Pacote Laboral. É possível uma vida melhor. Mais salário, Direitos e Serviços Públicos” —, que confirmou a força e a determinação dos trabalhadores em derrotar a ofensiva do Governo PSD/CDS-PP. A DORSA manifesta o seu empenho no sucesso das acções que estão para se realizar, nomeadamente: a Manifestação Nacional de Mulheres a 8 de Março, na qual se incluirá um desfile em Torres Novas, a manifestação pela Paz, soberania e solidariedade a 14 de Março em Lisboa, a luta dos estudantes a 24 de Março, a Manifestação Nacional da Juventude Trabalhadora a 28 de Março, as comemorações populares do 25 de Abril e a grande jornada de luta do 1.º de Maio.
A DORSA sublinha a importância do reforço da organização partidária como condição indispensável para responder às exigências do momento. Neste sentido, foi aprovado o Projecto de Resolução Política da 12.ª Assembleia da Organização Regional de Santarém (AORSA), dando início à sua discussão em toda a Organização Regional, num processo que deve envolver as organizações de base, aprofundar a ligação às massas e reforçar a capacidade de intervenção do Partido no distrito. As principais linhas de reforço definidas pelo Comité Central na Resolução “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!” — nomeadamente o reforço da capacidade de direcção e estruturação, a responsabilização de quadros, o reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, o trabalho com a juventude, a agitação e propaganda, o recrutamento e integração de novos militantes, o aumento da militância onde se insere a entrega do novo cartão de membro do Partido, o fortalecimento das organizações de massas, a Festa do Avante! e a garantia da independência financeira — constituem prioridades de toda a organização. A DORSA saúda ainda as comemorações do 105.º aniversário do PCP, assinalado precisamente neste dia 6 de Março, sob o lema “Projecto. Luta. Confiança.”, reafirmando o ideal e o projecto comunista como resposta necessária aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País.
O PCP reafirma a sua total confiança na força, na unidade e na determinação dos trabalhadores e do povo do distrito de Santarém. É possível romper com a política de direita e construir a alternativa patriótica e de esquerda, alicerçada nos valores de Abril, que responda aos interesses da esmagadora maioria da população e aponte o caminho para um Portugal mais justo, soberano e desenvolvido.
Santarém, 6 de Março de 2026
A Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP